A Centra, startup fundada pelos estudantes de Administração Pedro Pinheiros Costa, Pedro Negri e Felipe Gambarini, da Link School, recebeu um investimento de R$100 mil da LINK Capital, fundo de investimentos da instituição. A rodada avaliou a empresa em R$2 milhões, e os recursos serão destinados à expansão da operação, ao aprimoramento da tecnologia proprietária e à entrada em novas escolas parceiras.

Da escrita à identificação precoce de riscos
Criada para apoiar escolas na identificação precoce de vulnerabilidades emocionais entre estudantes, a Centra desenvolveu a ASATA (Análise Socioemocional Automatizada de Textos Autorais), plataforma baseada em inteligência artificial que analisa continuamente textos produzidos por alunos ao longo do ano letivo. A tecnologia identifica padrões que podem indicar ansiedade, depressão, isolamento social, autoagressão, uso de substâncias psicoativas e risco de suicídio, funcionando como uma ferramenta de apoio para psicólogos e equipes pedagógicas. Segundo os fundadores, a solução realiza sinalizações preventivas, sem substituir a avaliação clínica dos profissionais.
“Desde o início, acreditamos que a saúde socioemocional dos estudantes precisa ser acompanhada com a mesma atenção dedicada ao desempenho acadêmico. Esse investimento valida essa visão e nos permitirá levar nossa tecnologia para mais escolas, fortalecendo uma cultura de prevenção e cuidado baseada em dados“, afirma Pedro Pinheiros Costa, cofundador e CEO da Centra, em entrevista ao The University Journal.
Um desafio crescente para as escolas
A proposta da startup nasce de um desafio recorrente nas instituições de ensino. Enquanto indicadores como notas, frequência e participação são acompanhados diariamente, mudanças emocionais costumam permanecer invisíveis até que se transformem em problemas mais graves, como queda de rendimento, evasão escolar ou crises de saúde mental. A Centra busca preencher essa lacuna por meio da análise contínua da escrita dos estudantes, ampliando a capacidade das equipes educacionais de identificar sinais precoces de vulnerabilidade.

A relevância do tema também é reforçada por dados nacionais. Segundo informações citadas pela empresa, com base no Atlas da Violência 2024 e em estudo da Fiocruz publicado na The Lancet Regional Health – Americas, a taxa de suicídio entre brasileiros de 10 a 19 anos cresceu 41,7% na última década, enquanto as internações por lesões autoprovocadas aumentaram 73% no mesmo período. O levantamento também aponta que a taxa de suicídio entre jovens brasileiros cresce cerca de 6% ao ano.
Uma ideia que nasceu da experiência dos fundadores
A ideia da empresa surgiu da experiência dos próprios fundadores. Amigos desde o ensino médio, vivenciaram, em diferentes momentos, situações relacionadas ao bem-estar emocional dentro do ambiente escolar e perceberam que as instituições possuíam muitos dados sobre desempenho acadêmico, mas poucas ferramentas para compreender como os alunos estavam emocionalmente. Foi a partir dessa percepção que decidiram transformar o problema em uma solução tecnológica.
Para Pedro Negri, cofundador e CTO da Centra e criador da ASATA, o diferencial da plataforma está em utilizar a inteligência artificial como instrumento de apoio às equipes educacionais, e não como substituta do olhar humano.
“A inteligência artificial não toma decisões sobre os estudantes. Ela identifica padrões que seriam praticamente impossíveis de perceber em larga escala e entrega esses sinais para que psicólogos e educadores possam agir com mais rapidez, contexto e precisão.“
Aporte deve acelerar expansão da startup
Atualmente, a Centra atende 11 das principais escolas privadas do Brasil. Com o aporte da LINK Capital, a startup pretende ampliar sua presença no mercado, fortalecer sua tecnologia proprietária e acelerar a expansão para novas instituições de ensino.
Felipe Gambarini, cofundador e COO da empresa, afirma que o momento marca uma nova fase para a startup, agora voltada à expansão nacional.
“Nosso foco passa a ser escalar a operação sem perder a proximidade com as escolas. Queremos construir uma infraestrutura que permita às instituições compreender melhor seus alunos e agir preventivamente, antes que pequenos sinais se transformem em grandes problemas.”
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