Daniel Fujiwara e Leonardo Sorensen conquistaram o primeiro lugar na edição de 2026 do Goldman Sachs Brasil Research Challenge, após desenvolverem uma tese de investimento sobre a WEG. Os dois estudantes também receberam propostas de estágio na área de Global Investment Research do banco.

Estudantes Leonardo Sorensen e Daniel Fujiwara, vencedores da primeira edição do Goldman Sachs Brasil Research Challenge. Foto: Divulgação

Dois estudantes de graduação da Fundação Getulio Vargas em São Paulo conquistaram o primeiro lugar na primeira edição do Goldman Sachs Brasil Research Challenge, competição promovida pelo banco para avaliar as habilidades de estudantes universitários em análise de investimentos. Daniel Fujiwara (FGV EAESP) e Leonardo Sorensen (FGV EESP) representaram a Consultoria Júnior de Economia da FGV (CJE-FGV) e disputaram o desafio com outras 111 duplas inscritas, provenientes de mais de 30 instituições de ensino superior.

A competição foi realizada ao longo de aproximadamente dois meses e envolveu diferentes etapas de avaliação. Inicialmente, os participantes tiveram sessões de preparação por videoconferência com profissionais da equipe de Research do Goldman Sachs. Em seguida, as duplas precisaram elaborar uma análise de investimento sobre a WEG S.A., companhia brasileira de equipamentos eletroeletrônicos e soluções industriais.

O processo também incluiu uma defesa individual por videoconferência e, na etapa final, uma apresentação presencial de cinco minutos, seguida de uma sessão de perguntas e respostas (Q&A) no escritório do Goldman Sachs, em São Paulo.

Em entrevista ao The University Journal, Daniel Fujiwara diz que a avaliação considerou não apenas a qualidade técnica dos modelos financeiros, mas também a capacidade dos participantes de defender suas premissas. “Entendemos que três coisas pesaram: profundidade e consistência da análise, ou seja, cada premissa do modelo sustentando a recomendação. Clareza da narrativa: a tese precisava se sustentar em cinco minutos sem perder rigor. E a qualidade das respostas no Q&A, que é onde fica evidente quem entendeu a empresa e quem decorou o slide”, afirma.

Tese de investimento sobre a WEG

Para a competição, os estudantes desenvolveram um modelo próprio de projeção de receitas, margens e valuation da WEG. A análise considerou, entre outros fatores, os impactos da eletrificação global, das variações cambiais e das tarifas comerciais sobre o desempenho da companhia.

Em vez de utilizar uma taxa genérica para projetar o crescimento da receita, a dupla separou as operações já existentes da contribuição esperada das novas fábricas da empresa até 2028. Para determinar o valor da companhia, utilizou duas abordagens: o fluxo de caixa descontado e a comparação de múltiplos de lucro com empresas internacionais do mesmo setor.

O modelo resultou em um preço-alvo de R$49,80 por ação e recomendação neutra para o papel. Entre as principais variáveis consideradas estavam a velocidade de operação das novas fábricas, a margem bruta e a taxa de desconto utilizada no valuation.

Imagem da apresentação dos estudantes com a conclusão da análise sobre a WEG S.A. Foto: Divulgação

Na avaliação de Fujiwara, um dos diferenciais da apresentação foi a capacidade de selecionar as informações mais relevantes para sustentar a tese dentro do tempo disponível. “Com cinco minutos, o diferencial foi escolher os poucos que importavam e tirar o resto. No Q&A, respondemos de forma curta e direta, e isso passou segurança sobre o modelo. Também ajudou ter uma visão própria”, explica.

Experiência na CJE-FGV contribuiu para a preparação

A experiência anterior dos estudantes na Consultoria Júnior de Economia da FGV teve papel importante na preparação para o desafio. Antes da competição, ambos atuavam como analistas do fundo de investimentos da entidade, a CJE-FF, com experiências em diferentes setores e atividades de modelagem financeira.

Durante essa trajetória, a dupla já havia desenvolvido análises de empresas como Nubank, 3tentos, Boa Safra, WEG, Ambev e Veste. Daniel coordenava a divisão de Investment Banking, enquanto Leonardo atuava na coordenação de Asset Management.

Na preparação para o Goldman Sachs Research Challenge, os estudantes dividiram o trabalho em blocos e adotaram uma dinâmica de revisão cruzada, questionando as análises um do outro como se estivessem diante da banca avaliadora.

“Contabilidade e finanças deram a base para ler um balanço antes de projetar qualquer coisa. Mas o que mais pesou foi a experiência na CJE-FGV, a entidade de mercado financeiro que nos proporcionou a maioria da base dos conteúdos que necessitávamos para concluir o trabalho com a qualidade requisitada pelo Goldman”, afirma Fujiwara.

Além dos conhecimentos técnicos, o estudante destaca habilidades desenvolvidas fora da sala de aula, como o domínio de Excel, a leitura de relatórios de análise de mercado (sell side), o uso da plataforma Bloomberg e a capacidade de realizar apresentações sob pressão.

Conquista abre portas no mercado financeiro

Além do primeiro lugar, a participação na competição também teve desdobramentos profissionais para os dois estudantes. Após o desafio, ambos foram convidados a participar do processo seletivo para o programa regular de estágio em Global Investment Research do Goldman Sachs e receberam propostas de estágio.

Estudantes finalistas do Goldman Sachs Brasil Research Challenge. Foto: Divulgação

Daniel iniciou suas atividades em outubro de 2026, com atuação na cobertura dos setores de óleo, gás e infraestrutura na América Latina. Leonardo também recebeu uma proposta, mas deve iniciar posteriormente, em razão de conflitos com a grade horária de seu curso de Economia.

Para Daniel, a experiência também modificou a percepção sobre o trabalho em Equity Research, área dedicada à análise de empresas e à produção de recomendações de investimento.

“A gente achava que Research era basicamente modelo e relatório. Na prática, é ter uma opinião sobre a empresa, sustentar com número e aguentar pergunta de quem conhece o setor melhor que você. Isso vale para qualquer área do mercado”, afirma.

Ao avaliar a experiência, o estudante recomenda que outros universitários participem de competições acadêmicas mesmo antes de se sentirem completamente preparados. Para ele, a capacidade de defender uma análise diante de questionamentos é tão importante quanto a própria apresentação.

“Participe antes de se sentir pronto. Tenha opinião. E trate o Q&A como a parte principal, não como o final, especialmente quando fazer apresentações boas está virando cada vez mais comum com a ajuda de IA”, conclui.

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