Com empresas lidando com volumes crescentes de dados e decisões cada vez mais complexas, formação econômica amplia espaço para além da atuação tradicional do economista

Cédulas de real. Foto: Ivo Brasil/Pexels

Durante décadas, a imagem do economista esteve associada principalmente a bancos, instituições financeiras, órgãos públicos e análises de indicadores como inflação, juros, câmbio e crescimento econômico. Essas atividades continuam fazendo parte do campo profissional da Economia, mas já não representam todo o espaço ocupado por quem escolhe essa formação.

A transformação digital, a expansão da disponibilidade de dados e a maior complexidade dos mercados vêm ampliando as possibilidades para profissionais com formação econômica. Hoje, conhecimentos desenvolvidos ao longo de uma graduação em Economia podem ser aplicados em áreas como ciência de dados, análise de mercado, planejamento estratégico, business intelligence, fintechs, tecnologia, gestão e consultoria empresarial.

Para Paulo Roberto Santos Casaca, professor e coordenador do curso de Economia da Fundação Dom Cabral, a mudança está relacionada à própria evolução das demandas das organizações.

“A formação em Economia passou a ser valorizada não apenas pela capacidade de compreender os grandes movimentos da economia, mas também pela possibilidade de aplicar esse conhecimento a problemas concretos das empresas. Em um ambiente cada vez mais orientado por dados, o economista consegue combinar análise quantitativa, visão sistêmica e compreensão dos mercados para apoiar decisões.

Campus da Fundação Dom Cabral, eleita pelo Financial Times como uma das 10 melhores escolas de negócios do mundo na formação de executivos em 2026. Foto: Divulgação/FDC

A transformação do mercado de trabalho, portanto, não elimina a atuação tradicional do economista. Ela amplia o conjunto de problemas nos quais sua formação pode ser aplicada.

O economista clássico continua relevante

A análise de conjuntura, a avaliação de políticas econômicas, o acompanhamento de mercados financeiros, a elaboração de projeções e a interpretação de indicadores continuam exigindo profissionais capazes de compreender como diferentes variáveis econômicas se relacionam.

Ao mesmo tempo, empresas de diferentes setores passaram a incorporar análises econômicas a decisões que anteriormente poderiam ser tratadas de maneira mais isolada.

Precificação, investimentos, expansão para novos mercados, análise de concorrência e avaliação de riscos são alguns exemplos. Em cada uma dessas situações, decisões empresariais podem ser influenciadas por juros, inflação, renda, comportamento do consumidor, concorrência e condições macroeconômicas.

“O economista continua tendo um papel importante na leitura do ambiente econômico. O que mudou foi a quantidade de contextos em que esse conhecimento pode ser utilizado. Hoje, a análise econômica está muito mais presente dentro das próprias empresas e em áreas que nem sempre são identificadas imediatamente como Economia”, afirma Casaca.

Um mercado financeiro cada vez mais diversificado

O mercado financeiro permanece como uma das principais áreas de atuação para profissionais formados em Economia, mas esse mercado também se transformou. Além dos grandes bancos, cresceu o espaço ocupado por gestoras de recursos, bancos de investimento, escritórios de assessoria, fintechs, casas de análise e empresas especializadas em fusões e aquisições, valuation e gestão patrimonial.

Belo Horizonte tem se destacado nesse movimento e concentra aproximadamente um terço dos empregos do setor financeiro de Minas Gerais. A expansão também aparece no mercado de investimentos: o número de escritórios de assessoria de investimentos na capital cresceu quase 40% entre 2019 e 2026.

Belo Horizonte se destaca pelo crescimento do setor financeiro nos últimos anos. Foto: Divulgação/All Accor

Esse ecossistema abre oportunidades para estudantes ainda durante a graduação. Programas de estágio e posições de início de carreira permitem que o aluno tenha contato com análise de empresas, crédito, modelagem financeira, valuation, investimentos e acompanhamento dos mercados. Em muitos casos, o estágio funciona como porta de entrada para uma trajetória profissional que leva posteriormente a posições de analista.

“Belo Horizonte desenvolveu um mercado financeiro muito mais diversificado do que se imagina. Além dos bancos tradicionais, hoje temos gestoras, fintechs, escritórios de investimentos, boutiques de M&A e outras empresas que demandam profissionais com forte capacidade analítica. Para o estudante de Economia, isso cria a possibilidade de entrar nesse mercado ainda durante a graduação, muitas vezes por meio de um estágio, e construir uma carreira como analista sem precisar necessariamente deixar a cidade”, afirma Casaca.

Economia além da profissão tradicional

Uma das principais mudanças no mercado está justamente na possibilidade de aplicar a formação econômica em funções que não necessariamente carregam o título de “economista”.

Áreas como análise de mercado, planejamento estratégico e business intelligence, por exemplo, combinam análise quantitativa com interpretação de informações para apoiar decisões empresariais.

Estudantes da FDC durante atividade em sala de aula. Coordenador do curso destaca a importância de uma matriz curricular que prepare os alunos para os desafios e dinamismo do mercado. Foto: Divulgação/FDC

O mesmo acontece em setores ligados à tecnologia e às fintechs. Modelagem de dados, análise de comportamento dos consumidores, precificação, avaliação de riscos e compreensão de mercados são atividades nas quais conhecimentos econômicos podem ser combinados a ferramentas tecnológicas e estatísticas.

Nesse cenário, a graduação passa a funcionar menos como uma formação restrita a uma profissão específica e mais como uma base para diferentes trajetórias.

O que as empresas buscam?

A crescente disponibilidade de dados não diminuiu a importância da capacidade analítica. Em muitos casos, fez com que ela se tornasse ainda mais relevante.

Profissionais precisam não apenas saber trabalhar com números, mas compreender o que eles significam e quais decisões podem ser tomadas a partir deles.

“Não basta ter acesso a uma grande quantidade de dados. É preciso saber fazer as perguntas certas, interpretar os resultados e entender as consequências de uma decisão. A Economia oferece justamente essa capacidade de conectar dados, comportamento, mercados e tomada de decisão”, explica Casaca.

A combinação entre raciocínio quantitativo e visão sistêmica pode ser particularmente relevante em situações nas quais uma decisão empresarial produz efeitos sobre diferentes áreas simultaneamente.

Uma alteração de preço, por exemplo, pode afetar demanda, receita, concorrência e percepção do consumidor. Uma mudança na taxa de juros pode alterar decisões de investimento, financiamento e consumo. A análise econômica permite observar essas relações de maneira integrada.

O impacto da tecnologia

Empresas passaram a produzir e armazenar volumes cada vez maiores de informações. Ferramentas de análise de dados, inteligência artificial e automação, por sua vez, ampliaram a capacidade de processar essas informações.

“A tecnologia não substitui a necessidade de interpretar os fenômenos econômicos. Ela amplia a capacidade de análise. O profissional que consegue utilizar essas ferramentas sem perder a capacidade de compreender o contexto econômico passa a ter uma combinação de competências bastante relevante para as organizações”, afirma Casaca.

Estudantes da FDC durante apresentação de plataforma desenvolvida durante a graduação. A instituição fomenta tecnologia e inovação desde o início do curso como competências transversais dos alunos. Foto: Divulgação/FDC

Essa combinação ajuda a explicar a aproximação crescente entre Economia, tecnologia e ciência de dados. Modelagem, previsão, análise de comportamento dos consumidores, avaliação de riscos e precificação são exemplos de atividades nas quais essas áreas podem se encontrar.

Um mercado que ultrapassa fronteiras

A transformação também amplia as possibilidades de atuação em um mercado de trabalho cada vez mais conectado internacionalmente.

Empresas multinacionais, bancos, consultorias, empresas de tecnologia e organizações financeiras trabalham com mercados que ultrapassam as fronteiras nacionais. Questões como cadeias globais de produção, comércio internacional, políticas monetárias e fiscais e mudanças no ambiente geopolítico podem afetar diretamente decisões empresariais.

Nesse contexto, compreender os mecanismos econômicos que influenciam mercados e consumidores pode representar uma vantagem para profissionais que pretendem atuar em ambientes nacionais ou internacionais.

A formação multidisciplinar como diferencial

Economia tradicionalmente combina matemática, estatística, teoria econômica e análise de mercados. No mercado atual, esses conhecimentos podem ser complementados por competências em tecnologia, programação, ciência de dados, gestão e comunicação.

Para Casaca, essa capacidade de transitar entre diferentes campos tende a ganhar importância à medida que as fronteiras entre as áreas profissionais se tornam menos rígidas.

“O profissional mais preparado será aquele que conseguir combinar profundidade em sua área de formação com capacidade de dialogar com outras áreas. Em Economia, isso significa entender os fundamentos econômicos, mas também saber trabalhar com dados, tecnologia e problemas de negócios.”

Sala de aula da Fundação Dom Cabral. Foto: Divulgação/FDC

A tendência aponta para uma mudança na própria forma de enxergar a graduação. Para além da formação de economistas voltados a funções tradicionais, os cursos podem e devem preparar profissionais capazes de interpretar cenários complexos, analisar grandes volumes de informação e contribuir para decisões estratégicas, competências que ganham importância em um mercado cada vez mais orientado por dados.

Graduação em Economia da Fundação Dom Cabral

As inscrições para o Processo Seletivo 2027 da Graduação da Fundação Dom Cabral estão abertas até 27 de outubro. Para Economia, são oferecidas 30 vagas, enquanto o curso de Administração conta com 90 vagas.

A primeira etapa do processo seletivo inclui o Admission Day, marcado para 31 de outubro de 2026, com prova e dinâmica em grupo. Os candidatos aprovados nessa etapa seguem para uma entrevista individual online.

Mais informações estão disponíveis no site da Fundação Dom Cabral.

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