Programa oferece bolsas integrais ou parciais e pode incluir moradia, alimentação, curso de inglês e notebook; inscrições para o processo seletivo 2027 vão até 5 de outubro

O Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança) mantém atualmente 52% dos estudantes de sua graduação beneficiados pelo Programa de Bolsas da instituição. A iniciativa busca reduzir não apenas o custo da mensalidade, mas também outras barreiras enfrentadas por estudantes de diferentes regiões do país que precisam se mudar para São Paulo para cursar a faculdade.
Além da isenção total ou parcial das mensalidades, o programa pode contemplar despesas relacionadas à permanência do aluno na cidade, como moradia, alimentação, curso de inglês e notebook.
Segundo dados divulgados pelo Inteli, os bolsistas da instituição estão distribuídos por diferentes regiões do país. Entre os beneficiados, 14% são provenientes de estados do Nordeste, 6% da Região Norte, 4% do Sul e 3% do Centro-Oeste.

Ao todo, o programa reúne estudantes de mais de 100 cidades e 19 estados brasileiros. Para Flávia Santoro, diretora acadêmica do Inteli, a diversidade regional também tem impacto sobre a experiência acadêmica.
“Nosso programa de bolsas garante uma diversidade regional, com alunas e alunos de mais de 100 cidades de 19 estados brasileiros, e traz riqueza cultural e trocas valiosas durante as dinâmicas de sala de aula”, afirma Santoro.
O custo de estudar em São Paulo
A discussão sobre bolsas que contemplam a permanência ganha relevância em instituições localizadas em cidades com custo de vida elevado. Para um estudante que chega de outro estado, uma bolsa que cobre apenas parte da mensalidade pode não ser suficiente para tornar a graduação financeiramente viável.
Esse desafio ajuda a explicar a adoção de modelos que combinam diferentes tipos de suporte. No caso do Inteli, o programa foi estruturado para considerar despesas que vão além da sala de aula, permitindo que o benefício acompanhe parte da jornada do estudante durante a graduação.
De acordo com dados da instituição, a renda per capita média das famílias dos bolsistas cresceu 147% ao longo da graduação. O dado é apresentado pelo Inteli como um dos indicadores de impacto do programa sobre as famílias beneficiadas.
Insper também mantém programa de bolsas
O movimento não é exclusivo do Inteli. O Insper, instituição de ensino superior localizada em São Paulo, também mantém um programa de bolsas voltado a estudantes que apresentam necessidade financeira.

A instituição oferece bolsas de estudo para alunos de graduação, com modalidades que podem contemplar diferentes níveis de apoio financeiro e de permanência, por meio de auxílios (moradia, alimentação, manutenção, inglês e notebook), bolsa-intercâmbio e até mesmo abatimento de dependências que o bolsista possa ter durante a graduação. O objetivo é reduzir o peso da condição econômica sobre o acesso e a permanência na instituição.

A existência de iniciativas desse tipo em diferentes universidades evidencia uma mudança na própria discussão sobre democratização do acesso ao ensino superior privado. A questão deixa de ser apenas quanto custa a mensalidade e passa a envolver quanto custa, de fato, cursar uma graduação.
Para estudantes que precisam se mudar para São Paulo, essa conta inclui aluguel ou moradia estudantil, alimentação, transporte, materiais, equipamentos e outras despesas cotidianas. Sem considerar esses custos, uma bolsa parcial pode não eliminar a barreira econômica que impede a matrícula ou, principalmente, a permanência até a conclusão do curso.

Tecnologia na análise socioeconômica
Uma das novidades do programa neste ano é a adoção do Open Finance no processo de análise socioeconômica dos candidatos ao Programa de Bolsas do Inteli.
A tecnologia utilizada foi desenvolvida pela EducaOpen e permite, mediante consentimento dos candidatos e de suas famílias, o acesso a dados financeiros para auxiliar na avaliação da capacidade econômica dos interessados.
Segundo o Inteli, a utilização dos dados busca tornar a análise mais precisa, transparente e auditável. A instituição afirma ainda que a solução combina os dados financeiros consentidos com recursos de inteligência artificial para apoiar a avaliação socioeconômica.
A mudança ocorre em um contexto no qual a seleção de bolsistas precisa considerar não apenas o desempenho acadêmico, mas também a situação financeira das famílias e a capacidade de arcar com os custos associados à permanência do estudante em São Paulo.
O movimento também evidencia um desafio para as universidades: identificar de maneira mais precisa quais estudantes precisam de apoio e qual é a dimensão dessa necessidade. Em programas que podem envolver não apenas mensalidades, mas também moradia e alimentação, a avaliação da situação econômica familiar ganha ainda mais peso.
Os programas de bolsas passam, assim, a funcionar como mecanismos de permanência. Para universidades privadas que buscam atrair estudantes de diferentes regiões do país, a capacidade de financiar não apenas o acesso, mas também a trajetória acadêmica, pode ser determinante para ampliar a diversidade socioeconômica e regional de seus alunos.
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