A Faculdade Cásper Líbero, primeira escola de Jornalismo da América Latina, anunciou o lançamento de sua política institucional de inteligência artificial generativa, documento que estabelece diretrizes para o uso ético, crítico e responsável de ferramentas de IA por estudantes e professores dos cursos de Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Audiovisual e Pós-Graduação em Comunicação.

Fachada da Faculdade Cásper Líbero na Avenida Paulista, em São Paulo. Foto: Divulgação/FCL

A iniciativa coloca a instituição entre as faculdades brasileiras que vêm estruturando normas específicas para o uso de inteligência artificial no ensino superior. Segundo a faculdade, o diferencial da política está no foco direcionado ao campo da Comunicação, uma das áreas mais impactadas pelas transformações provocadas pelas ferramentas generativas.

O documento parte do reconhecimento de que plataformas de inteligência artificial já fazem parte do cotidiano acadêmico e profissional de estudantes e docentes. A proposta, segundo a instituição, é estabelecer parâmetros claros relacionados à autoria, transparência, verificação de informações, integridade acadêmica, proteção de dados e responsabilidade ética.

Em parceria com o Google, Faculdade promoveu imersão sobre inteligência artificial aplicada à comunicação. Foto: Gabriel Pereira/FCL

“O debate não pode ser tratado como se estivéssemos diante de uma tecnologia periférica. A inteligência artificial já atravessa as profissões da comunicação e já faz parte da realidade dos estudantes. O papel da faculdade é orientar como essas ferramentas podem ser usadas de maneira ética, crítica e responsável”, afirma Marcelo Santos, diretor da Cásper Líbero.

Entre os principais pontos previstos na política estão a obrigatoriedade de declaração do uso de IA em trabalhos acadêmicos, a revisão de métodos de avaliação para evitar substituição do pensamento crítico por automação, além de diretrizes específicas para diferentes áreas da comunicação.

Sala de aula da Faculdade Cásper Líbero. Foto: Divulgação/FCL

O texto também aborda temas como deep fakes, desinformação, uso de dados pessoais e credibilidade da informação. Para os professores, o documento inclui orientações relacionadas à preparação de aulas, atividades e práticas pedagógicas envolvendo ferramentas generativas.

Segundo Santos, o avanço dessas tecnologias exige uma discussão que ultrapassa ganhos de produtividade e eficiência.

“A comunicação é o campo da produção de sentido, da mediação entre fatos e públicos e da disputa narrativa. Quando ferramentas generativas entram nesse território, o que está em jogo não é apenas produtividade. São questões como autoria, confiança pública, credibilidade da informação e responsabilidade ética”, afirma.

De acordo com a instituição, a construção da política teve como referência documentos e diretrizes internacionais de universidades como University of Oxford, University of Toronto, University of California e University of Liverpool. O texto também considera princípios da LGPD, da legislação brasileira de direitos autorais e códigos de ética das profissões da comunicação.

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