Bolsista integral, Ana Alícia Medina conquistou o 1º lugar do Brasil e o 17º lugar do mundo na International Astronomy and Astrophysics Competition (IAAC). Agora, concilia a graduação no Inteli, pesquisas nacionais e internacionais e sonha em atuar na engenharia aeroespacial.

Para muitas pessoas, uma olimpíada científica representa apenas mais uma competição escolar. Para Ana Alícia Medina Santos da Rocha Nunes, de 22 anos, ela transformou completamente sua trajetória.
Aluna do primeiro semestre de Engenharia de Computação no Inteli, Alícia conquistou o 1º lugar entre os brasileiros e o 17º lugar mundial na edição de 2026 da International Astronomy and Astrophysics Competition (IAAC), competição internacional que reúne estudantes de diversos países para resolver desafios avançados de Astronomia e Astrofísica.
A notícia chegou de maneira inesperada. “Entrei no site completamente despretensiosamente e falei para minha irmã: ‘Vamos ver quem ganhou do Brasil?’. Quando encontrei meu nome em primeiro lugar, não consegui acreditar. Logo depois descobri que também era a 17ª colocada do mundo. Foi uma sensação surreal”, contou ao The University Journal.
Segundo ela, o resultado foi a confirmação de uma dedicação construída durante anos. “Sempre fui apaixonada por Física, Astronomia e tudo relacionado ao espaço, mas nunca imaginei alcançar uma colocação como essa. Foi a prova de que todo o esforço realmente valeu a pena.“
Uma preparação construída ao longo de quatro anos
Apesar da conquista parecer repentina, ela é resultado de uma preparação iniciada ainda no ensino médio.
Alícia estudou em turmas voltadas ao ITA, primeiro no Colégio Farias Brito e depois no Estratégia Militares, desenvolvendo uma base sólida em Física e Matemática. Paralelamente, passou a participar de diversas olimpíadas científicas, experiência que considera decisiva para seu desempenho na IAAC.
A competição internacional possui três etapas. Após fases discursivas envolvendo Astronomia, Astrofísica e interpretação de artigos científicos, apenas os melhores classificados chegam à final, composta por uma prova em inglês com questões objetivas e discursivas de alto nível técnico.
Na etapa decisiva, o tempo foi um dos maiores desafios. “Havia cerca de 50 segundos para responder cada questão. Muitas vezes não era possível fazer todos os cálculos, então era preciso memorizar constantes e valores importantes. Isso fez bastante diferença”, explica.
As olimpíadas mudaram sua vida
Muito antes da medalha internacional, as olimpíadas já haviam transformado o caminho da estudante.
Nascida em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, Alícia afirma que as competições abriram portas que antes pareciam inalcançáveis. Graças ao desempenho acadêmico, conquistou bolsas de estudo, mudou-se ainda jovem para Fortaleza e, posteriormente, para São Paulo, até tornar-se bolsista integral do Inteli. “Grande parte da minha trajetória começou justamente por causa das olimpíadas. Elas mudaram completamente a minha vida“, afirma.

A escolha pelo Inteli
Antes de ingressar no Inteli, Alícia chegou a ser aprovada no Instituto Militar de Engenharia (IME). No entanto, decidiu seguir outro caminho.
Segundo ela, a carreira militar não estava alinhada aos seus objetivos profissionais. O que encontrou no Inteli foi um ambiente que lhe permitiu combinar graduação, pesquisa e iniciativas próprias.

Foi na instituição que fundou o Núcleo de Olimpíadas do Inteli (NOI), tornando-se sua primeira presidente, além de se tornar a primeira estudante da universidade a conquistar uma medalha em uma olimpíada internacional de Astrofísica. “O que mais me marcou foi perceber o poder de ser a primeira. Ser a primeira pessoa a conquistar algo significa abrir caminho para que muitas outras também possam chegar lá.“
Pesquisa, computação e espaço
Além da graduação, Alícia mantém uma rotina intensa de pesquisa.
Ela integra um projeto da Faculdade de Medicina da USP voltado ao estudo do envelhecimento de tecidos biológicos, oportunidade conquistada por meio do Inteli Research. Também participa de uma pesquisa internacional sobre atrofia muscular em astronautas ao lado de um pesquisador da Universidade de Cambridge, financiada pela Sapiente Scholarship, da qual foi a única bolsista selecionada mundialmente na edição mais recente.
Sua agenda ainda inclui aulas de mandarim com bolsa do Instituto Confúcio, um bootcamp de engenharia aeroespacial, produção de conteúdo como embaixadora, participação em congressos e o desenvolvimento de um projeto próprio para detecção de asteroides.
Segundo ela, organização é a palavra-chave para equilibrar tantas atividades.
O próximo objetivo: encontrar um asteroide
Mesmo após o resultado internacional, Alícia segue acumulando novos desafios.
Ela foi classificada para a segunda fase da Olimpíada Brasileira de Informática (OBI), prepara-se para competições internacionais de Matemática junto ao Núcleo de Olimpíadas do Inteli e participa do programa de caça a asteroides do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Entre suas metas pessoais está uma bastante específica. “Um dos meus grandes objetivos é conseguir identificar um novo asteroide.”
O sonho de trabalhar na exploração espacial
Apaixonada pelo espaço desde os sete anos de idade, Alícia pretende direcionar sua carreira para a engenharia aeroespacial.
Ela afirma que pretende realizar um PhD no MIT e trabalhar no desenvolvimento de tecnologias voltadas à saúde de astronautas durante missões espaciais de longa duração, unindo computação, engenharia e pesquisa biomédica.

Além da conquista de títulos, ela diz querer inspirar outros estudantes. “Quero desenvolver tecnologias que tenham impacto real e inspirar outras pessoas a acreditarem que também podem chegar longe. Quem sabe ter novamente a oportunidade de ser a primeira a conquistar algo e abrir caminhos para quem vier depois.”
Para ela, esse também é o papel das universidades.
“Com mais incentivo às olimpíadas científicas, apoio à pesquisa e investimento em oportunidades internacionais, muitos estudantes podem transformar talento em inovação e desenvolvimento tecnológico para o país“, conclui.
Leia também: Startup fundada por estudantes do Inteli capta R$1,3 milhão e entra em aceleração em São Francisco, na Califórnia
Aprovado no ITA, IME e em Medicina na USP, estudante opta por permanecer em Ciência da Computação no Insper
Estudante de Computação do Inteli é vice-campeão em hackathon global de IA realizado na Universidade de Oxford




