Dashboard criado durante sprint acadêmico reúne dados de diferentes bases públicas, utiliza inteligência artificial para análises e foi escolhido pela CNSaúde como a solução mais promissora entre oito equipes

Murilo Godoy e Gabriel Rosa, estudantes de Ciência da Computação no Insper. Foto: Divulgação

Enquanto muitos estudantes ainda estão dando os primeiros passos na graduação, cinco alunos de Ciência da Computação do Insper desenvolveram, em apenas duas semanas, uma plataforma capaz de consolidar milhares de dados do sistema de saúde brasileiro em um único ambiente inteligente. O projeto chamou a atenção da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde) e levou dois integrantes da equipe a Brasília para apresentar a solução a autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

Representando o grupo, Murilo Zezza Godoy e Gabriel Martins Rosa, passaram o dia demonstrando o funcionamento da plataforma durante o lançamento do Instituto Consenso, iniciativa criada pela CNSaúde em parceria com entidades do setor. Entre os presentes estavam o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, ministros do Supremo Tribunal Federal e lideranças da saúde brasileira.

Um problema complexo para estudantes do segundo semestre

A oportunidade surgiu durante a Sprint Session do curso de Ciência da Computação do Insper, disciplina em que os estudantes trabalham em desafios reais apresentados por empresas e organizações parceiras. Na ocasião, oito equipes receberam a missão de desenvolver soluções para a CNSaúde, que buscava uma forma mais eficiente de utilizar informações espalhadas por diferentes bases públicas.

Segundo os estudantes, o principal obstáculo não era a ausência de dados, mas justamente o excesso deles.

“Os dados existem, mas estão descentralizados. As bases públicas são enormes e possuem interfaces que dificultam muito as consultas. O desafio foi construir uma plataforma capaz de centralizar todas essas informações em um único lugar e transformá-las em conhecimento para apoiar decisões estratégicas“, explicam Murilo e Gabriel em entrevista ao The University Journal.

Ao final da Sprint, o projeto desenvolvido pelo grupo foi escolhido pela CNSaúde como o mais promissor entre todas as soluções apresentadas.

Da engenharia de dados à inteligência artificial

A plataforma desenvolvida pelos estudantes vai além da simples visualização de indicadores.

Primeiro, a equipe estruturou um banco de dados integrando informações provenientes de bases como CNES, DataSUS, SIH, BigQuery e IBGE. Em seguida, desenvolveu uma API responsável por conectar esses dados a um dashboard interativo.

Entre as funcionalidades implementadas estão filtros por região, estado, natureza jurídica e porte dos hospitais, mapas geográficos, projeções de investimentos, diferentes níveis de acesso para sindicatos e federações e até um chatbot baseado em inteligência artificial capaz de responder perguntas sobre os dados disponíveis e gerar análises automaticamente.

Para os estudantes, reunir informações de diferentes bancos de dados em uma única plataforma representa um dos principais diferenciais da solução.

Aprender enquanto desenvolviam

Apesar do pouco tempo disponível, o desafio exigiu que os alunos dominassem tecnologias que ainda não faziam parte de sua formação.

Um dos exemplos foi o BigQuery, ferramenta do Google utilizada para processamento de grandes volumes de dados.

Segundo eles, boa parte dos primeiros dias foi dedicada apenas ao entendimento das bases públicas e ao planejamento da arquitetura da solução.

“Foram dois ou três dias praticamente sem desenvolver nada. Precisávamos entender como todas aquelas bases funcionavam antes de começar a construir a plataforma“, relatam.

Estudantes tiveram que aprender novas ferramentas em um curto espaço de tempo para o desenvolvimento do projeto. Foto: Divulgação

Ao longo do projeto, reuniões frequentes com representantes da CNSaúde permitiram validar funcionalidades e adaptar a plataforma às necessidades da instituição, simulando a dinâmica encontrada em projetos reais do mercado.

Tecnologia com impacto direto na gestão da saúde

Na avaliação da dupla, o maior potencial da plataforma está na capacidade de transformar grandes volumes de informações em decisões mais rápidas e fundamentadas. Com indicadores estruturados, projeções, filtros avançados e análises produzidas por inteligência artificial, gestores conseguem identificar gargalos, comparar cenários e direcionar investimentos de forma mais eficiente.

Para os estudantes, embora existam diversas bases públicas sobre saúde, seu potencial ainda é pouco explorado devido à dificuldade de acesso e interpretação dos dados.

“Quando você reúne tudo em um único ambiente e oferece ferramentas para análises complexas, é possível extrair muito mais valor dessas informações“, afirmam.

Brasília como reconhecimento

Estudantes tiveram que se preparar para realizar apresentações da plataforma diante de autoridades em Brasília. Foto: Divulgação

A apresentação da plataforma diante de autoridades nacionais foi encarada pelos alunos como um dos momentos mais marcantes da graduação. Segundo eles, o impacto começou antes mesmo das apresentações.

Ao chegarem ao evento e visualizarem a lista de participantes, perceberam que dividiriam espaço com algumas das principais lideranças políticas e institucionais do país. A responsabilidade inicialmente gerou pressão, mas rapidamente deu lugar ao entusiasmo diante da receptividade do público.

“Diversas pessoas interagiram com a plataforma, fizeram perguntas ao nosso agente de IA e demonstraram bastante interesse na solução. Foi uma experiência única”, lembram.

Formação voltada para problemas reais

Para Murilo e Gabriel, a experiência reforçou uma característica que consideram um diferencial na formação em Ciência da Computação no Insper: o contato, desde o início do curso, com desafios reais do mercado.

Mesmo ainda nos primeiros semestres da graduação, os estudantes afirmam que o projeto mostrou ser possível desenvolver soluções de alta complexidade e impacto social.

Eles também acreditam que a tecnologia terá papel cada vez mais relevante na transformação do sistema de saúde brasileiro, especialmente em áreas como integração de dados, inteligência artificial e apoio à tomada de decisões. Há, inclusive, expectativa de continuidade da plataforma em parceria com a CNSaúde, ampliando a solução construída durante a Sprint acadêmica.

Ao olhar para trás, os alunos dizem que a principal lição deixada pela experiência vai além da programação. “O conselho que damos é não esperar que tudo chegue pronto. Vale a pena assumir desafios que parecem maiores do que você imagina conseguir resolver. Foi exatamente isso que abriu portas que jamais esperávamos viver tão cedo na graduação“, concluem os estudantes.

Leia também: – Insper e Hospital Sírio-Libanês firmam parceria estratégica com foco em ensino, pesquisa, inovação e impacto em saúde
– Startups fundadas por alunos e ex-alunos do Insper captaram R$9,17 bilhões em cinco anos
– Estudantes do Insper vencem, em Harvard, final global da maior competição de análise de empresas da América Latina

LEIA TAMBÉM