Operação incorpora instituição especializada em animação, games e efeitos visuais ao ecossistema da Belas Artes; movimento ocorre meses após a ESPM assumir a Panamericana

O Centro Universitário Belas Artes de São Paulo anunciou a aquisição da Faculdade Méliès, instituição especializada na formação em animação, games, efeitos visuais e cinema. Com a operação, a Belas Artes amplia sua presença em áreas ligadas à produção audiovisual e digital e incorpora ao seu ecossistema uma marca que atua há mais de 20 anos no mercado criativo.
A Méliès foi fundada em 2005 por artistas e profissionais de diferentes formações e desenvolveu uma proposta de ensino que combina arte, tecnologia, ferramentas e empreendedorismo. Em 2014, foi credenciada pelo Ministério da Educação (MEC) e tornou-se a primeira faculdade especializada em animação no Brasil.
A aquisição não prevê, neste momento, o desaparecimento da marca. A Méliès continuará utilizando seu próprio nome, enquanto as atividades acadêmicas seguem normalmente para estudantes, professores e colaboradores.
A estratégia da Belas Artes
Para a Belas Artes, a aquisição da Méliès amplia um ecossistema construído ao longo de um século. Fundada em 1925, a instituição completou 100 anos em 2025 e mantém cursos de graduação, pós-graduação e extensão em áreas como artes, design, comunicação, arquitetura, moda e negócios.
A Méliès, por sua vez, chega à estrutura com uma trajetória concentrada nas artes digitais. A instituição afirma ter alcançado o primeiro lugar na América Latina no ranking internacional da Animation Career Review e ter figurado entre as referências mundiais na área de animação.

A lógica, portanto, não está em simplesmente adicionar novos cursos ao portfólio. A aquisição coloca dentro da mesma estrutura duas instituições com especializações diferentes, mas complementares: de um lado, a tradição da Belas Artes em artes, design e comunicação; de outro, a especialização da Méliès em tecnologias e linguagens utilizadas pela indústria audiovisual e de entretenimento.
“A Méliès construiu uma escola com identidade própria e reconhecimento real no mercado criativo“, afirma Carmine Avena Junior, diretor administrativo da Belas Artes. Segundo o executivo, a intenção é preservar essa identidade e combiná-la à estrutura acadêmica da instituição centenária.
A operação também não teve seus valores financeiros divulgados. Até o momento, a Belas Artes não anunciou mudanças na estrutura acadêmica da Méliès nem alterações para seus estudantes e professores.
Um movimento que vai além da Belas Artes
A operação chama atenção também porque acontece poucos meses depois de outro movimento envolvendo uma tradicional instituição brasileira de ensino voltada à economia criativa.
Em novembro de 2025, a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) anunciou que assumiria a Escola Panamericana de Arte, que passou a operar como ESPM | Panamericana a partir de janeiro de 2026. A unidade mantém atualmente uma oferta que inclui artes plásticas, design, fotografia e audiovisual, design de interiores, moda, animação e games.

Embora sejam operações distintas e não exista relação anunciada entre elas, os dois casos têm um ponto em comum: instituições de ensino consolidadas ampliaram seu alcance por meio da incorporação de escolas com identidade própria e atuação histórica em segmentos criativos.
No caso da ESPM, a aproximação adicionou ao grupo uma operação tradicionalmente associada à arte e ao design. A unidade ESPM | Panamericana funciona atualmente em Higienópolis, em São Paulo, oferecendo cursos de pós-graduação, especialização, formação técnica, formação livre, intensivos e programas on demand.
Já a Belas Artes direciona sua expansão para um segmento mais específico das indústrias criativas. Ao incorporar a Méliès, a instituição adiciona ao portfólio uma expertise concentrada em animação, efeitos visuais e games, complementando áreas nas quais já possui atuação, como artes, design, arquitetura, moda e comunicação.
Os dois movimentos ajudam a evidenciar uma transformação no próprio conceito de formação para a economia criativa. Escolas tradicionalmente reconhecidas por determinadas competências passam a fazer parte de estruturas educacionais mais amplas, que podem combinar diferentes áreas de conhecimento, infraestrutura, marcas e conexões com o mercado.
Ainda é cedo para afirmar que as operações representam uma tendência consolidada de consolidação do segmento. Mas, em um intervalo inferior a um ano, dois grupos relevantes do ensino superior privado em São Paulo anunciaram movimentos envolvendo aquisições de instituições reconhecidas justamente por sua atuação em arte, design e outras áreas criativas.
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