A IKKB, startup de contas globais criada por estudantes do Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança) e FGV, acaba de captar US$800 mil (equivalente a R$4 milhões) em rodada liderada pela Caravela Capital e pela Latitud Ventures, marcando um novo estágio de crescimento para a empresa e reforçando o avanço do ecossistema empreendedor ligado à instituição.

Fundada em 2025 por Rafael Katalan (Engenharia de Computação’25, Inteli), Edward Konig (Direito’22, FGV-SP) e Henrique Schilder (Engenharia de Computação’25, Inteli), a IKKB desenvolve uma plataforma voltada à gestão financeira internacional, permitindo que empresas operem com contas em diferentes países e moedas de forma integrada. A proposta responde a uma demanda de negócios brasileiros que atuam globalmente e enfrentam desafios operacionais e regulatórios nesse processo.

Da esquerda para a direita: Rafael Katalan, Edward Konig e Henrique Schilder, fundadores da startup IKKB. Foto: Divulgação

A origem da startup está diretamente associada a uma dor de mercado identificada ainda antes da formalização do negócio. “O Edward identificou uma dor para empresas gerenciarem o financeiro internacional — especialmente em relação à complexidade e à falta de soluções eficientes para esse tipo de gestão. Conheci ele no final de 2024 e juntos começamos a idealizar e desenvolver o produto”, afirma Rafael Katalan, em entrevista ao The University Journal. Segundo ele, a entrada de Henrique Schilder, em abril de 2025, consolidou o time fundador e acelerou o desenvolvimento da solução.

Embora a ideia não tenha surgido formalmente dentro da faculdade, o ambiente acadêmico teve papel relevante na execução do projeto. “A experiência com os projetos do Inteli certamente ajudou nesse processo: nos ensina a pôr a mão na massa e tirar um projeto do papel sozinhos”, diz Katalan, evidenciando a influência do modelo educacional baseado em projetos na formação dos empreendedores.

Campus do Inteli, inaugurado em 2021. Foto: SAENG Engenharia

No mercado, a IKKB busca se diferenciar ao ir além do conceito tradicional de conta global. A empresa se posiciona como uma plataforma mais ampla de gestão financeira internacional, com foco em empresas que operam com maior volume e complexidade. “A IKKB não oferece apenas uma conta global, mas uma plataforma completa de gestão financeira internacional. Nosso foco é atender empresas que movimentam volumes relevantes e precisam de velocidade, confiabilidade e um atendimento de alto nível”, explica o fundador. Ele destaca ainda a importância da estrutura jurídica da operação, construída com assessoria do escritório Pinheiro Neto Advogados, como um dos pilares da proposta de valor.

Atualmente, a startup já atende clientes em setores como turismo, importação e infraestrutura de pagamentos, além de pessoas físicas com investimentos no exterior. A flexibilidade cambial permite a movimentação entre contas em diferentes países e aparece como um dos principais diferenciais operacionais da solução.

A captação de US$800 mil ocorre em um momento de consolidação inicial do negócio, pouco mais de um ano após sua fundação, e deve impulsionar a expansão da plataforma e o desenvolvimento de novos produtos. Entre as prioridades para os próximos meses estão a ampliação das funcionalidades e a redução da dependência de intermediários nas operações internacionais dos clientes. “Estamos trabalhando para oferecer cartões vinculados às contas internacionais e ampliar o número de moedas disponíveis, permitindo que empresas operem de forma mais local em diferentes partes do mundo”, afirma Katalan.

No horizonte de médio prazo, a ambição é posicionar a IKKB como uma camada estruturante para operações financeiras globais. “No horizonte de três a cinco anos, queremos consolidar a IKKB como uma infraestrutura financeira global para empresas que operam internacionalmente”, diz.

A trajetória da empresa também reflete uma mudança de postura comum entre estudantes que transitam do ambiente acadêmico para o mercado real. “Quando você começa a operar com investimento e clientes para além dos projetos da faculdade, a mentalidade muda completamente.”, afirma o fundador. “Deixa de ser um exercício acadêmico e passa a existir uma responsabilidade maior com clientes, parceiros e com o capital investido na empresa.”

O avanço da IKKB se insere em um movimento mais amplo de amadurecimento do ecossistema empreendedor ligado ao Inteli, que, poucos meses após a formação de sua primeira turma, já acumula uma sequência de startups com captações relevantes e inserção em mercados competitivos. Nesse contexto, iniciativas como a da IKKB reforçam o papel crescente de instituições privadas na formação de talentos capazes de atuar em frentes de inovação com alcance global.

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