Um estudante do curso de Ciência da Computação do Insper conquistou um resultado inédito na Olimpíada Brasileira do Ensino Superior de Química (OBESQ), uma das principais competições acadêmicas da área no país. Matheus Henrique Pereira Borba, atualmente no segundo semestre da graduação, recebeu medalha de ouro em Química Geral e ainda somou outras três premiações, alcançando um dos melhores desempenhos já registrado por um aluno de universidade privada na história da olimpíada.

A participação rendeu a Matheus, além do ouro em Química Geral, medalha de prata na classificação geral da OBESQ, prata em Química Analítica e bronze em Físico-Química, em uma disputa que reúne majoritariamente estudantes de cursos tradicionais de Química, Engenharia Química e áreas afins. O desempenho chama atenção não apenas pelo volume de premiações, mas também pelo perfil acadêmico do estudante, que cursa uma graduação voltada à computação e ao mercado tecnológico.
“A competição representa, para mim, uma premiação pelo esforço de muitos anos, nos quais abdiquei de muita coisa na vida pessoal para estudar. De certa forma, é a colheita dos frutos dessa trajetória”, afirma Matheus, ao comentar o significado do resultado para sua formação acadêmica.
A OBESQ é realizada anualmente e é aberta a estudantes de qualquer graduação do ensino superior. A competição é dividida em duas fases: uma primeira etapa online, com questões objetivas, e uma segunda fase presencial, composta por uma prova discursiva que abrange conteúdos equivalentes a um bacharelado em Química. Ao final, são premiados os melhores desempenhos gerais e por área específica, como Química Geral, Analítica, Orgânica, Inorgânica e Físico-Química.
Mesmo após um período afastado do estudo formal da Química, Matheus conseguiu competir em alto nível com alunos que têm contato diário com a disciplina. “Isso mostra que a minha preparação durante o Ensino Médio para as olimpíadas científicas foi bem feita, a ponto de ainda ser suficiente para disputar com estudantes que vivem a Química de forma intensa há anos”, avalia.
O estudante iniciou sua trajetória em olimpíadas científicas ainda no ensino fundamental e construiu uma formação sólida em Matemática, Física e Química ao longo da educação básica. No Insper, apesar de o foco do curso estar em Ciência da Computação, ele afirma que o ambiente acadêmico e o convívio com colegas de perfil competitivo contribuíram para manter um alto nível de exigência intelectual.
Na avaliação de Matheus, o resultado também ajuda a reposicionar o papel das instituições privadas no cenário científico nacional. “O Insper tem um potencial acadêmico gigantesco. Ainda não compete com universidades públicas em volume de publicações, mas isso também tem relação com o nível de incentivo. Há bons alunos e espaço para avançar”, afirma.
Ele destaca que o desempenho pode ajudar a reduzir o estigma ainda associado às universidades privadas nas áreas de Ciências Exatas e da Natureza. Para o estudante, iniciativas de apoio à pesquisa e às competições acadêmicas podem ampliar a presença dessas instituições em olimpíadas e na produção científica de alto nível nos próximos anos.
Com planos de seguir conciliando olimpíadas acadêmicas, projetos de pesquisa e competições na área de computação, Matheus pretende aprofundar estudos em inteligência artificial aplicada às ciências naturais. “Quero unir o meu curso com áreas pelas quais sempre fui fascinado. Essa conquista reforça ainda mais essa vontade”, conclui.




