Natural de Conselheiro Lafaiete (MG), Matheus Borba acumula aprovações em alguns dos vestibulares mais concorridos do país, mas afirma que já estava no lugar certo para seu projeto de futuro

Matheus Henrique Pereira Borba, estudante de Ciência da Computação no Insper. Foto: Divulgação

Aos 19 anos, Matheus Henrique Pereira Borba alcançou, em 2026, um feito reservado a poucos estudantes brasileiros: foi aprovado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), no Instituto Militar de Engenharia (IME) e em Medicina na USP. No mesmo ciclo, também conquistou vagas em Ciência da Computação e Química na UFC e em Química na Unicamp, além de ter sido aprovado anteriormente no Bacharelado em Ciência e Tecnologia da UFABC. Apesar da sequência de resultados expressivos, decidiu permanecer onde já estava: no curso de Ciência da Computação do Insper, instituição que integra desde 2025 como bolsista integral.

“Eu sempre quis passar nesses vestibulares. Era uma meta pessoal. Mas nunca tive o sonho de ingressar”, afirma.

A trajetória do estudante começou em Conselheiro Lafaiete, onde estudou até o 8º ano em escola municipal. O ponto de virada veio no 7º ano, quando conheceu as olimpíadas científicas. A partir dali, passou a direcionar sua formação para competições acadêmicas de alto nível. Durante a pandemia, intensificou ainda mais os estudos, o que o levou a ser convidado para cursar o ensino médio no tradicional colégio Farias Brito, em Fortaleza, conhecido pela preparação para olimpíadas e vestibulares militares.

Foi nesse ambiente que o ITA e o IME passaram a integrar seus objetivos. “Eu entrei em uma turma específica para vestibulares militares e comecei a me aprofundar mais. Ali desenvolvi uma base muito sólida em exatas”, relembra. Ele destaca especialmente a influência de um professor de química, que o ensinou a diferenciar domínio superficial de compreensão profunda — aprendizado que considera central na sua formação.

A preparação, segundo ele, nunca foi baseada em jornadas exaustivas de estudo. “Eu preferia estudar menos horas, mas com muita qualidade.” A base construída nas olimpíadas científicas se mostrou decisiva. Em 2025, já no Insper, Matheus conquistou medalha de ouro em Química Geral na Olimpíada Brasileira do Ensino Superior de Química (OBESQ), além de outras três premiações na mesma edição, mesmo sendo aluno de Computação — evidência de uma formação multidisciplinar consolidada.

Entre todas as aprovações recentes, o ITA foi, na sua percepção, o maior desafio. Ele conta que estava há mais de um ano sem estudar especificamente para vestibulares militares e se sentiu menos ágil durante a prova. Ainda assim, obteve êxito no que é amplamente reconhecido como um dos processos seletivos mais exigentes do país.

A decisão de permanecer no Insper, porém, nunca esteve em dúvida. Desde a primeira visita à instituição, afirma ter identificado alinhamento com seu projeto de vida. “Fiquei apaixonado pela proposta voltada para o mercado, pela infraestrutura, corpo docente e pelo networking. Quando soube que teria bolsa integral, tive certeza de que era o lugar certo.

Segundo ele, o diferencial está no modelo de formação. Enquanto instituições como o ITA aprofundam de maneira intensa o conteúdo teórico em exatas, o Insper oferece, em sua visão, uma graduação mais aplicada e conectada ao mercado. “Eu sabia que poderia manter o lado acadêmico estudando por fora e, ao mesmo tempo, teria contato constante com o aplicacional durante a graduação. Para mim, isso torna a formação mais completa.”

Hoje no terceiro semestre de Ciência da Computação, Matheus já atua na Nero.AI, startup fundada por alunos do Insper que desenvolve soluções de inteligência artificial para empresas. A área, aliás, é o principal vetor de sua motivação intelectual. “Inteligência artificial é o que mais me motiva. Foi o que me levou a escolher o curso.”

A decisão também se insere em um fenômeno que tem sido observado internamente por alunos da instituição nos últimos anos. Há registros de estudantes bolsistas integrais no Insper aprovados no ITA, IME e universidades públicas tradicionais que optaram por permanecer ou ingressar na instituição, priorizando o alinhamento com o projeto acadêmico e profissional oferecido. Para Matheus, o programa de bolsas é um fator central nesse processo, ao ampliar o acesso e permitir que alunos de alto desempenho façam escolhas com base em estratégia de formação — e não apenas em restrições financeiras.

Ele reconhece o simbolismo do ITA no imaginário acadêmico brasileiro. “É uma instituição de excelência. Ter sido aprovado mostra que compartilho características com alunos de lá. Isso traz um reconhecimento importante.” Ainda assim, reforça que sua decisão foi estratégica.

Ao projetar o futuro, afirma querer construir algo relevante na ciência e na tecnologia. “Quero fazer algo grande, quero fazer a diferença no mundo”, diz. Por ora, seu foco está na consolidação das suas atividades na Nero.AI e no aprofundamento em inteligência artificial.

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