Universidade reúne oito décadas de história acadêmica, egressos em posições de destaque e uma formação que busca conectar conhecimento, pensamento crítico e as transformações do mercado

Campus Monte Alegre da PUC-SP, no bairro Perdizes, em São Paulo. Foto: Divulgação/PUC-SP

Escolher uma universidade vai além de decidir qual curso fazer. Para uma geração que chega ao ensino superior em meio a transformações aceleradas na tecnologia, na economia e nas relações de trabalho, o ambiente acadêmico, a formação recebida e as possibilidades construídas durante a graduação também fazem parte dessa escolha.

É nesse contexto que a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) chega aos seus 80 anos, celebrados em 2026. Criada em 1946, a instituição construiu uma trajetória marcada pela presença em diferentes áreas do conhecimento, pelo pioneirismo em determinados campos de formação e pela atuação de seus egressos em setores como Direito, Economia, Comunicação, Saúde, Pesquisa e Serviço Público.

Ao longo desse período, a universidade também passou por transformações para acompanhar novas demandas da sociedade, mantendo uma característica presente na sua trajetória: a combinação entre formação acadêmica e uma leitura crítica do mundo.

“Em um mundo cada vez mais transformado pela inteligência artificial, a formação universitária precisa ir além do domínio técnico. Competências como pensamento crítico, criatividade, comunicação, liderança e capacidade de lidar com problemas complexos tornam-se cada vez mais importantes”, pontua o reitor da PUC-SP, Prof. Dr. Vidal Serrano Nunes Jr. ao The University Journal.

Uma tradição que também aparece no mercado

A trajetória da PUC-SP pode ser observada não apenas por sua história institucional, mas também pelos caminhos percorridos por profissionais formados na universidade.

Ministro e atual presidente do STF Edson Fachin, mestre e doutor em Direito pela PUC-SP. Foto: Gustavo Moreno/STF

No QS Latin America & The Caribbean 2026, a PUC-SP ocupa a 72ª posição entre as instituições da região e registra 72 pontos no indicador Employer Reputation, que considera a percepção de empregadores sobre as universidades. Já no QS World University Rankings 2027, aparece na faixa de 1001–1200 entre as instituições do mundo e na 58ª posição no recorte sul-americano.

Outro indicador está relacionado especificamente à formação de profissionais do Direito. Na edição 2026 do anuário Análise Advocacia, a PUC-SP liderou, pelo segundo ano consecutivo, o levantamento das universidades que mais formam advogados classificados como Mais Admirados do Brasil, com 294 indicações para seus egressos, diante de 231 da USP.

Auditório da PUC-SP, palco de aulas, palestras e debates por parte de figuras notáveis brasileiras. Foto: Divulgação/PUC-SP

Em 2026, a universidade também informou ter sido a instituição que mais aprovou candidatos no concurso de ingresso na carreira do Ministério Público de São Paulo.

Os resultados ajudam a dimensionar uma das características associadas à trajetória da instituição: a presença de seus formados em diferentes espaços profissionais e acadêmicos.

Pioneirismo em diferentes áreas

A história da PUC-SP também é marcada por iniciativas que antecederam movimentos de expansão de determinadas áreas do ensino superior brasileiro.

Um dos exemplos está no Serviço Social. A escola que deu origem ao atual curso da PUC-SP foi criada em 1936, sendo reconhecida como a primeira escola de Serviço Social do Brasil. Em 2026, essa trajetória completa 90 anos. Desde então, a instituição participou da formação profissional e acadêmica na área e das discussões relacionadas a direitos e políticas sociais.

Outro exemplo é o curso de Relações Internacionais, criado em 1995. A graduação foi a terceira do País e a primeira do Estado de São Paulo. Sua proposta multidisciplinar reúne conhecimentos de Política Internacional, Economia, História e outras áreas das Ciências Humanas.

Em Sorocaba, o pioneirismo aparece na formação médica. A Faculdade de Medicina começou a funcionar em 1950, sendo a primeira escola médica do interior do Brasil. Posteriormente integrada à PUC-SP, deu origem à atual Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde, que mantém os cursos de Medicina e Enfermagem e utiliza o Hospital Santa Lucinda como campo de formação.

Estudantes no Hospital Santa Lucinda, em Sorocaba. Foto: Divulgação/PUC-SP

A história dessa unidade inclui ainda uma passagem curiosa: em 1955, cinco anos após o início das atividades, o campus recebeu a visita de Alexander Fleming, médico e bacteriologista responsável pela descoberta da penicilina e vencedor do Prêmio Nobel de Medicina de 1945.

Formação crítica como parte da experiência universitária

A tradição da PUC-SP também está relacionada à forma como diferentes cursos procuram combinar conhecimento técnico com uma compreensão mais ampla da sociedade.

Estudantes durante aula na PUC-SP. Foto: Divulgação/PUC-SP

Na Psicologia, por exemplo, a universidade construiu uma trajetória especialmente associada à Psicologia Social, com pesquisas e formação voltadas a temas como desigualdade, direitos, relações sociais e políticas públicas.

Na Economia, a formação combina conteúdos quantitativos e financeiros com disciplinas que abordam Economia Política, Formação Econômica do Brasil, Política, Sociologia, Padrões de Desenvolvimento Capitalista e Economia Internacional.

A proposta é aproximar a formação técnica da compreensão dos fenômenos econômicos em suas dimensões históricas, políticas e sociais. Atualmente, os estudantes da graduação também contam com terminais Bloomberg, aproximando o ambiente acadêmico de ferramentas e informações utilizadas no mercado financeiro.

Essa combinação entre formação técnica e visão ampla também aparece nas próprias trajetórias de antigos alunos. Um dos exemplos é Gabriel Galípolo, graduado em Ciências Econômicas e mestre em Economia Política pela PUC-SP. Ele também foi professor da universidade entre 2006 e 2012 e, depois de atuar no setor público e no mercado financeiro, tornou-se presidente do Banco Central.

Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central, é bacharel e mestre em Economia pela PUC-SP. Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Os campi também fazem parte da história

A experiência universitária não está restrita às salas de aula. Os próprios espaços ocupados pela PUC-SP carregam parte da trajetória da instituição.

O conjunto do campus Marquês de Paranaguá, na Consolação, foi projetado pelo arquiteto italiano Rino Levi, um dos nomes da arquitetura moderna brasileira, enquanto seus jardins foram desenhados por Roberto Burle Marx. O conjunto é tombado pelo patrimônio histórico, assim como o Campus Monte Alegre, em Perdizes.

Campus Monte Alegre da PUC-SP em Perdizes. Foto: Divulgação/PUC-SP

Os diferentes espaços da universidade também são utilizados para atividades que ampliam a experiência de formação. A PUC-SP mantém estruturas voltadas à pesquisa, extensão, atendimento à comunidade, cultura e internacionalização, aproximando a universidade de diferentes dimensões da sociedade.

Entre essas estruturas estão a DERDIC, voltada à educação, acessibilidade e atendimento de pessoas surdas e pessoas com alterações de comunicação; o Hospital Santa Lucinda, utilizado na formação de estudantes da área da saúde; a Clínica Psicológica Ana Maria Poppovic; e o Escritório Modelo Dom Paulo Evaristo Arns, que oferece assistência jurídica gratuita a pessoas de baixa renda.

A universidade também mantém o TUCA, seu teatro próprio, e uma estrutura de relações internacionais responsável por convênios com instituições de ensino de diferentes países.

O encontro entre oito décadas e uma nova geração

Aos 80 anos, a PUC-SP carrega uma história construída por diferentes gerações de professores, estudantes e egressos. São trajetórias que atravessam áreas como Direito, Economia, Comunicação, Saúde, Pesquisa, Educação e Setor público.

Ao mesmo tempo, a universidade precisa responder às transformações que moldam a formação superior no presente. A presença de cursos relacionados a Ciências de Dados e Inteligência Artificial, Ciência da Computação, Engenharia de Sistemas Ciber Físicos e outras áreas de tecnologia e engenharia mostra a expansão da oferta para campos diretamente relacionados às mudanças tecnológicas.

Estudante de Engenharia durante atividade em laboratório. Foto: Divulgação/PUC-SP

Essa convivência entre tradição e novas áreas ajuda a definir o momento vivido pela universidade em seu aniversário de 80 anos: preservar uma trajetória construída ao longo de décadas enquanto prepara uma nova geração para um cenário profissional e social diferente daquele encontrado por seus antecessores.

Estudante comemorando aprovação na PUC-SP. Foto: Divulgação/PUC-SP

Para os estudantes que chegam à universidade em 2027, fazer parte dessa história significa também participar de sua continuidade. O Vestibular de Verão 2027 representa a porta de entrada para essa experiência, com inscrições abertas até 2 de outubro de 2026 e prova presencial marcada para 17 de outubro (sábado).

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