Levantamento do novo Observatório de Empreendedorismo e Inovação mostra concentração em fintechs e destaca empresas como QI Tech, Alice, Evino e Mottu

Startups fundadas por alunos e ex-alunos do Insper captaram R$9.170.610.358 entre 2020 e 2025, segundo levantamento consolidado pelo recém-lançado Observatório de Empreendedorismo e Inovação da instituição. O volume coloca o ecossistema ligado à escola entre os mais relevantes do país em captação de venture capital no período, com forte presença de fintechs, além de empresas de saúde, logística, consumo e tecnologia.
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Os dados foram apresentados na noite desta quarta-feira, 25, durante o evento de inauguração do Observatório, iniciativa que passa a reunir e analisar, com metodologia própria, indicadores relacionados ao desempenho de empresas fundadas por membros da comunidade acadêmica. A proposta é produzir estudos periódicos sobre o ecossistema brasileiro de inovação e empreendedorismo, oferecendo uma base confiável para acompanhamento da evolução do setor.
O montante superior a R$9,1 bilhões reflete aportes realizados em diferentes estágios — de rodadas seed (primeiro financiamento formal de uma startup) a séries mais avançadas — e evidencia a maturidade de parte dessas empresas. Entre os destaques estão a QI Tech, que se tornou o mais recente unicórnio brasileiro, além de nomes como Alice, Evino e Mottu, que figuram entre as startups de grande visibilidade dentro e fora do ecossistema da instituição.
O pico da atividade ocorreu em 2021, quando as startups fundadas por alunos e ex-alunos do Insper realizaram 46 rodadas de captação, somando aproximadamente US$486 milhões (R$2,68 bilhões), segundo o relatório. Já em 2025, considerando dados ainda parciais até setembro, foram registradas cinco rodadas, com volume total de US$141,4 milhões — o equivalente a R$798,8 milhões. O movimento acompanha a desaceleração observada no mercado global de venture capital após o ciclo de forte expansão pós-pandemia.

A presença de fintechs aparece como traço marcante do levantamento. Empresas voltadas a infraestrutura financeira, crédito, pagamentos e banking as a service concentram parcela relevante das captações, acompanhando uma tendência estrutural do ecossistema brasileiro de inovação na última década. O ambiente regulatório mais aberto à competição no sistema financeiro e o avanço da digitalização ampliaram espaço para modelos de negócio escaláveis — cenário no qual ex-alunos da instituição passaram a ocupar papel relevante.

Ao mesmo tempo, o levantamento mostra diversificação setorial. Healthtechs, retailtechs, logística e soluções baseadas em dados também compõem o portfólio de empresas analisadas. A amplitude reforça a conexão entre formação em negócios, economia, direito, engenharia e tecnologia e a criação de negócios de base digital.
Para Guilherme Martins, presidente do Insper, o resultado é consequência direta da proposta acadêmica da instituição. “Quando a gente pensa em empreendedorismo no Insper, a base disso é uma boa formação. Não é a existência do Hub, de uma incubadora ou aceleradora – ou até mesmo bater no peito e falar ‘somos uma faculdade de empreendedorismo’. O que vai fazer qualquer profissional que passa pelo Insper ser bem-sucedido, independente da carreira que escolher e incluindo empreender, é uma boa formação – e a gente não abre mão disso”, afirmou durante o evento.

A fala sintetiza o posicionamento institucional apresentado na inauguração do Observatório: o empreendedorismo não como discurso isolado, mas como desdobramento de uma formação sólida, com ênfase analítica, rigor técnico e visão de longo prazo. O Hub de Inovação e Empreendedorismo, já existente na escola, passa agora a contar com um braço dedicado à produção de dados e pesquisas, ampliando a atuação para além do suporte direto a startups.
O Observatório nasce com a missão de produzir estudos relevantes sobre o ecossistema brasileiro de inovação e empreendedorismo, atuando como referência para consulta de dados e indicadores confiáveis. Por meio de pesquisas periódicas, a iniciativa acompanhará a evolução de métricas como captação, valuation, setores predominantes, além do impacto econômico das empresas fundadas por alunos e ex-alunos da instituição.
Em um cenário nacional marcado por ciclos de expansão e retração no mercado de venture capital, a captação de R$9,1 bilhões em cinco anos sinaliza resiliência e capacidade de geração de negócios de alto crescimento. Muito além do volume financeiro, o dado aponta para a crescente inserção de universidades privadas no núcleo produtivo do ecossistema de inovação brasileiro.
Ao transformar dados em objeto de análise estruturada, o Insper busca agora dar um passo adicional: compreender padrões, identificar tendências e contribuir para o debate público sobre o papel da formação acadêmica na criação de empresas capazes de impactar o mercado e a economia.
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