Concluída no final de 2025, a rodada pré-seed (fase inicial de captação de recursos de uma startup) da Hakutaku.ai marca um momento relevante para o ecossistema empreendedor do Inteli. Fundada por estudantes da primeira turma da instituição, a startup de inteligência artificial captou investimento institucional dos fundos Stamina e GrowthWay.vc, em uma operação que simboliza a maturidade das primeiras iniciativas empresariais formadas no ambiente acadêmico da faculdade.

Embora o valor do aporte não possa ser divulgado por cláusula contratual, segundo os fundadores a captação foi estruturada dentro do padrão praticado em rodadas pré-seed no Brasil (algo entre R$500 mil e R$1,5 milhão, em pesquisa feita pelo University Journal). A operação representou a primeira rodada institucional concluída por uma startup formada por estudantes da instituição, abrindo caminho para o movimento que se intensificou nos meses seguintes — como a rodada de R$1,3 milhão anunciada em fevereio de 2026 pela Cloak, também de estudantes do Inteli — e ajuda a consolidar um novo ciclo de maturidade do ecossistema empreendedor ligado à faculdade.

A empresa é comandada por um aluno e dois ex-alunos da graduação. Raduan Muarrek, CEO, é formado em Sistemas de Informação e fundador da Liga de Empreendedorismo do Inteli, com passagem por machine learning, consultoria e venture capital. Patrick Miranda, COO, também graduado em Sistemas de Informação, atuou como desenvolvedor backend no BTG. Já Guilherme Moura, CTO, é estudante de Ciência da Computação, com passagens pela área de segurança da informação do BTG e Engenharia de Software na Vórtx. Além do time de fundadores, a Hakutaku conta com Felipe Lisak, estudante de Engenharia de Computação no Inteli, como um dos desenvolvedores da plataforma, o que reforça o compromisso dos fundadores em aproveitar ao máximo o potencial dos estudantes de dentro do ecossistema da instituição.

Estudantes fundadores da Hakutaku. Da esquerda para a direita: Patrick Miranda (COO), Raduan Muarrek (CEO) e Guilherme Moura (CTO). Foto: Divulgação.

A Hakutaku surgiu a partir de uma demanda concreta de mercado. Uma empresa buscava um software eficiente de gestão de conhecimento e não encontrava soluções adequadas no Brasil. A partir desse desafio, o grupo passou a validar a proposta em hackathons (competições de programação), onde conquistou premiações tanto na área técnica quanto em competições voltadas a venture capital. Esses resultados funcionaram como os primeiros recursos para viabilizar o desenvolvimento do produto.

A startup busca resolver um problema recorrente no ambiente corporativo: a subutilização do conhecimento já produzido pelas empresas. Documentos, gravações de reuniões e conversas internas costumam ficar dispersos e pouco acessíveis. A proposta da Hakutaku é estruturar essas informações por meio de inteligência artificial, trazendo contexto e aplicabilidade operacional.

Captura de tela do sistema desenvolvido pela Hakutaku, com métricas da organização e usuários. Foto: Divulgação

Após um ciclo inicial de provas de conceito, os fundadores dedicaram cerca de seis a sete meses ao desenvolvimento completo do SaaS (Software as a Service). O produto foi lançado recentemente e já está em fase de implementação com os primeiros clientes, com adaptações específicas conforme cada contexto organizacional.

Segundo Raduan, a rodada representou uma transição importante para a empresa. “Até então éramos três amigos desenvolvendo produto. A partir do investimento, passamos a estruturar a empresa de forma mais formal, com foco em governança, estratégia e crescimento”, afirma.

Captura de uma das telas do sistema desenvolvido pela Hakutaku, com um chat interativo de IA integrado à plataforma. Foto: Divulgação

A estratégia atual envolve aprofundar a verticalização da solução, criando diferenciais competitivos em um mercado global disputado por grandes players. Ao mesmo tempo, a flexibilidade técnica permanece como eixo central do produto, permitindo a criação de conectores e fluxos adaptáveis a diferentes realidades empresariais.

A rodada da Hakutaku, concluída ainda em 2025, antecede outras movimentações recentes envolvendo startups formadas por estudantes do Inteli e evidencia um cenário de amadurecimento do ecossistema empreendedor da instituição poucos anos após a formação de sua primeira turma.

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