A divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 pelo Ministério da Educação revelou um recorte relevante sobre a qualidade da formação médica no país. Ao todo, 49 cursos de Medicina, entre instituições públicas e privadas, alcançaram a nota máxima na avaliação aplicada pelo Ministério da Educação. Dentro desse universo, nove pertencem a instituições privadas, um dado que chama atenção tanto pela seletividade do resultado quanto pelo perfil administrativo e geográfico desses cursos.

Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, uma das 9 instituições a atingir nota máxima no ENAMED 2025. Foto: Divulgação/FICSAE

Criado para aferir competências, habilidades clínicas e conhecimentos essenciais ao exercício da Medicina, o Enamed avalia estudantes em fase avançada da graduação e dialoga diretamente com as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso. O exame tem sido tratado pelo MEC como um instrumento estratégico para qualificar o diagnóstico da formação médica no Brasil, complementando o Enade e servindo de base para políticas de regulação e supervisão.

De acordo com a análise oficial, dos 304 cursos de Medicina de instituições públicas federais e privadas que participaram do Enamed 2025, 204 — o equivalente a 67,1% — obtiveram conceitos entre 3 e 5 no Enade, patamar considerado satisfatório. Outros 99 cursos, cerca de 32% do total, ficaram nas faixas 1 e 2, o que indica que menos de 60% de seus estudantes apresentaram desempenho adequado no exame. Esses cursos passarão por ações de supervisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), o que reforça o papel do Enamed como instrumento de indução de qualidade.

No grupo das instituições privadas com nota máxima, um aspecto se sobressai: mais da metade está localizada no estado de São Paulo. A concentração paulista reflete um ecossistema historicamente estruturado para a formação médica, marcado pela presença de hospitais de ensino consolidados, redes assistenciais robustas e tradição acadêmica em saúde. Esse ambiente favorece a integração entre teoria e prática, um dos pilares avaliados pelo Enamed, e ajuda a explicar o protagonismo do estado mesmo em um exame de alcance nacional.

Outro ponto relevante é a diversidade de categorias administrativas entre as nove instituições privadas com desempenho máximo. O grupo reúne universidades comunitárias e confessionais, instituições privadas sem fins lucrativos e faculdades privadas com fins lucrativos. Esse recorte indica que modelos institucionais distintos, quando sustentados por projetos pedagógicos consistentes, corpo docente qualificado e forte inserção na rede de saúde, conseguem alcançar níveis elevados de desempenho acadêmico.

Universidades privadas com nota máxima no ENAMED 2025:

Privadas sem fins lucrativos:
Centro Universitário Padre Albino (UNIFIPA – Fameca) – Catanduva/SP
Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) – São Paulo/SP
Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE) – São Paulo/SP
Faculdades Pequeno Príncipe (FPP) – Curitiba/PR

Privadas com fins lucrativos:
Centro Universitário Christus (Unichristus) – Fortaleza/CE
Faculdade de Ciências da Saúde de Barretos Dr. Paulo Prata (FACISB) – Barretos/SP
Universidade Positivo (UP) – Curitiba/PR

Comunitária/Confessional:
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) – Porto Alegre/RS

Especial (autarquia municipal, com cobrança de mensalidade):
Centro Universitário Municipal de Franca (Uni-FACEF) – Franca/SP
*Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ) – Jundiaí/SP
*Nos dados oficiais fornecidos pelo MEC, a FMJ consta como “Pública Municipal” ao invés de “Especial” (autarquia municipal). Por esse motivo o University Journal não considerou a instituição na lista das 9 universidades privadas com nota máxima, figurando apenas na lista das 40 públicas com nota máxima.

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