Fundada por estudantes do Inteli – Instituto de Tecnologia e Liderança, a Cloak, startup brasileira focada em privacidade para transações em blockchain, acaba de levantar uma rodada pre-seed (fase inicial de captação de recursos de uma startup) de US$250 mil (aproximadamente R$1,3 milhão) e foi selecionada para um programa de aceleração em São Francisco, nos Estados Unidos. A empresa atua no ecossistema da blockchain Solana e desenvolve uma infraestrutura que permite operações financeiras on-chain (transações dentro da rede blockchain) com maior privacidade, um dos principais desafios do setor.
A startup foi fundada em setembro de 2025 por quatro alunos da instituição: Arthur Bretas, Marcelo Feitoza, Victor Carvalho e Matheus Macedo Santos, estudante de Engenharia de Software, de 22 anos, que atua como COO da empresa. Três dos fundadores concluíram a graduação em dezembro de 2025, enquanto um deles ainda cursa o quinto semestre.

A trajetória empreendedora do grupo começou ainda dentro do Inteli. Os fundadores se conheceram na universidade e deram os primeiros passos no Centro de Empreendedorismo da instituição, onde desenvolveram uma empresa anterior. Com o amadurecimento do time e uma leitura mais clara do mercado, o projeto foi completamente reformulado, dando origem à Cloak, que manteve a equipe e a visão de longo prazo.
Segundo Matheus, a formação acadêmica teve papel central no desenvolvimento da startup. O apoio da Liga de Empreendedorismo e do Centro de Empreendedorismo foi decisivo, especialmente na estruturação do negócio, nos aspectos legais e na compreensão do ambiente empresarial. Além disso, o networking construído dentro da universidade foi importante para a constituição do time fundador.

A Cloak atua em um segmento estratégico do mercado de blockchain: a privacidade em transações financeiras. Embora a transparência seja uma característica central dessa tecnologia, ela pode inviabilizar seu uso em pagamentos, transferências e operações institucionais. A solução desenvolvida pela startup utiliza provas criptográficas avançadas, conhecidas como zero-knowledge proofs, para permitir execuções privadas sem comprometer a segurança da rede.
Atualmente, o produto está na fase final de testes, operando plenamente em ambiente de testes, sem movimentação de valor real. O lançamento oficial e o início do faturamento estão previstos para 15 de fevereiro de 2026. A startup já conta com parcerias em estágio avançado, atua nos modelos B2B e B2C e possui mais de 550 pessoas inscritas em uma lista de espera para o lançamento.
A rodada de investimento que garantiu US$ 250 mil à empresa teve origem na participação da Cloak no Colosseum Cypherpunk Hackathon, considerado o maior hackathon (maratona de programação) de blockchain do mundo, com mais de 10 mil participantes. A startup conquistou o primeiro lugar na categoria brasileira e o terceiro lugar global na trilha de stablecoins (criptomoedas projetadas para manter um valor estável), resultado que levou à aproximação com o fundo Colosseum, responsável pelo investimento e pela seleção para o programa de aceleração.
A Cloak integra agora o Colosseum Accelerator Cohort, programa com duração de oito semanas, sendo duas presenciais em São Francisco. Durante o período, os fundadores trabalham diretamente no escritório da aceleradora, participando de mentorias em negócios, marketing, desenvolvimento e estratégia de mercado, além de se conectar com desenvolvedores, investidores e lideranças do ecossistema Solana.
Com foco totalmente internacional, a startup planeja lançar sua aplicação em inglês e integrar a solução a protocolos globais. Para Matheus, um dos maiores aprendizados da trajetória empreendedora ainda durante a graduação está na importância da comunicação e da construção de relações. “A faculdade oferece um ativo que vai muito além do conteúdo técnico: as conexões. É ali que surgem cofundadores, mentores, investidores e oportunidades que fazem diferença no caminho empreendedor”, afirma.




