A Passabot, startup brasileira de tecnologia para o setor de turismo fundada por estudantes bolsistas do Insper, anunciou a conclusão de uma rodada de investimento anjo no valor de R$1,2 milhão. A operação, finalizada no dia 14 de janeiro de 2026, avaliou a empresa em R$15 milhões e marca um novo estágio de crescimento para a companhia, que aposta em inteligência artificial para vender passagens aéreas diretamente pelo WhatsApp.

Criada por Alan Barbosa, Fernando Santos e Leonardo Piana (ITA), a Passabot desenvolveu uma plataforma conversacional que permite ao usuário pesquisar, comparar, pagar e emitir passagens aéreas sem sair do aplicativo de mensagens. O time fundador foi ampliado posteriormente com a entrada de Marcos Americano, de 20 anos, estudante da FEA-USP, que passou a integrar o quadro societário da empresa. Dois dos três fundadores, Alan e Fernando, são estudantes do curso de Ciência da Computação do Insper, cuja formação foi concluída em 2025. A colação de grau da dupla está prevista para abril deste ano, marcando também a formatura da primeira turma do curso na instituição.

Grupo de fundadores e estudantes vinculados à Passabot em evento do Hub de Inovação e Empreendedorismo do Insper. Foto: Divulgação

A rodada foi composta majoritariamente por investidores-anjo estratégicos, com experiência nos setores de tecnologia, aviação, turismo e investimento institucional. Parte dos investidores ainda não autorizou a divulgação pública de seus nomes, mas grupos como Insper Angels e ITA Angels participaram da captação, somando cerca de R$300 mil. Não houve um investidor líder formal, e a estrutura da rodada foi distribuída entre os anjos.

Segundo os fundadores, o valuation de R$15 milhões considerou fatores como a tração do negócio, o crescimento médio de aproximadamente 35% ao mês em volume e receita desde setembro, além da tecnologia proprietária desenvolvida internamente. A avaliação também levou em conta a validação do modelo no mercado e o nível de execução alcançado, inclusive em comparação a iniciativas semelhantes de grandes empresas do setor.

“Esse investimento valida não só a tecnologia que construímos, mas também a forma como estamos resolvendo um problema real do mercado de turismo. Conseguimos mostrar tração, crescimento consistente e uma solução que é difícil de replicar”, afirma Alan Barbosa, CEO da Passabot.

Atualmente, a startup soma mais de 20 mil usuários, cerca de 800 clientes que já realizaram ao menos uma compra e aproximadamente 2 mil passagens emitidas pela plataforma. A empresa já gera receita recorrente, acompanhando o ritmo de crescimento observado nos últimos meses. O modelo de negócio é baseado na obtenção de tarifas exclusivas no mercado corporativo de turismo, com aplicação de margem na venda ao consumidor final, realizada diretamente pelo WhatsApp.

Os recursos captados serão direcionados principalmente ao desenvolvimento do produto e da tecnologia, à ampliação do time e ao fortalecimento das frentes de distribuição e marketing. Hoje, a Passabot conta com uma equipe de 12 pessoas. A expectativa é realizar novas contratações ao longo de 2026, especialmente nas áreas de engenharia de software, produto e comercial.

A trajetória da startup está fortemente conectada ao ecossistema acadêmico do Insper. De acordo com os fundadores, a formação em Ciência da Computação, o contato com professores e o apoio do Hub de Inovação e Empreendedorismo da instituição tiveram papel relevante em decisões estratégicas ao longo do desenvolvimento da empresa.

O recorte social também faz parte da história da Passabot. Alan e Fernando ingressaram no Insper como bolsistas integrais, condição que influenciou diretamente a origem e o propósito do negócio. “O Programa de Bolsas foi essencial para a nossa chegada até aqui. Além das oportunidades e do contato com o mercado, a Passabot nasceu com um propósito social claro: ajudar bolsistas a viajarem para visitar suas famílias”, diz Alan. Segundo ele, a origem humilde dos fundadores trouxe desafios adicionais no início da jornada, exigindo um crescimento mais cauteloso e financeiramente sustentável.

Antes da captação, a Passabot já havia acumulado reconhecimentos no ecossistema de inovação, como a participação no WhatsApp AI Startups Hub, programa oficial da Meta, e a vitória no Campus Mobile. As experiências contribuíram para a validação da proposta de turismo conversacional, o acesso a mentoria técnica e o aumento da credibilidade junto a investidores.

Fundadores da Passabot na Campus Mobile. Foto: Ricardo Bozzo – Insper

Para 2026, a startup pretende acelerar o crescimento, consolidar sua atuação no mercado brasileiro e escalar a receita. Há também planos de expansão internacional para países com forte adoção do WhatsApp, como Índia, Indonésia e México, além do lançamento de novas funcionalidades baseadas em inteligência artificial. A empresa avalia, de forma estratégica, a possibilidade de futuras rodadas de investimento para sustentar a expansão.

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