As duas instituições figuram no topo do ensino superior privado brasileiro em termos de mensalidade, segundo ranking do The University Journal.

Estudantes na sala de aula da Faculdade Belavista. Instituição se destaca pelo foco em turmas reduzidas e ensino individualizado. Foto: Divulgação

O avanço de políticas que restringem o uso de celulares em sala de aula na graduação, adotadas por renomadas instituições privadas como Insper, ESPM e FGV, abriu espaço para um contraponto relevante no ensino superior de elite no Brasil. Em sentido oposto, a Faculdade Belavista e a Link School of Business vieram a público defender a permanência dos dispositivos eletrônicos em sala, associando a discussão à formação da autonomia e da responsabilidade dos estudantes universitários.

A Link School of Business, classificada pelo ranking do The University Journal como a faculdade de Administração mais cara do Brasil, adotou posição clara contra a proibição ampla do uso de celulares. O posicionamento foi apresentado pelo fundador da instituição, Alvaro Schocair, em um vídeo publicado nas redes sociais, no qual argumenta que a tecnologia é parte indissociável da formação em negócios no contexto contemporâneo.

Campus da Link School em São Paulo. Foto: Pedro Mascaro/Perkins&Will São Paulo

Ao tratar do tema sob a ótica da maturidade, Schocair afirmou: “A gente pensa que nós existimos para antecipar a vida adulta e não para ser uma extensão do ensino médio. Então, o nosso papel é dar responsabilidade ao aluno e mostrar para ele o quão importante aquele tempo de dedicação e atenção dele naquele momento de sala de aula é importante.” Na Link, o uso de celulares é permitido, embora cada professor tenha autonomia para restringir os aparelhos em aulas específicas, sobretudo em momentos mais expositivos.

Posicionamento semelhante foi adotado pela Faculdade Belavista, apontada pelo ranking do The University Journal como a terceira faculdade mais cara do Brasil nos cursos de Direito e Economia. A instituição sustenta que a proibição de celulares no ensino superior tende a reproduzir uma lógica de tutela típica da educação básica, em desacordo com a missão formativa da universidade.

Milena Seabra, diretora executiva da Faculdade Belavista. Foto: Divulgação

Para a Belavista, o papel do ensino superior é formar jovens adultos capazes de exercer autogestão, senso crítico e responsabilidade, competências exigidas no mercado de trabalho e na vida pública. “Quando a universidade proíbe o celular, ela pode até reduzir um sintoma imediato, mas transfere o problema para o futuro. No mercado de trabalho não existe proibição, existe exigência de foco, responsabilidade, maturidade e autogestão. A universidade precisa preparar o aluno para essa realidade”, afirma Milena Seabra, diretora executiva da instituição.

A faculdade reconhece os desafios associados à economia da atenção e ao uso excessivo de telas, mas defende que a resposta institucional deve vir por meio de formação estruturada, acompanhamento próximo e exigência acadêmica consistente, e não por meio de proibições generalizadas. A decisão de manter o uso de celulares em sala foi tomada internamente após debates entre professores e gestores e está associada a programas próprios de desenvolvimento estudantil e mentoria. Além disso, a Belavista possui como um dos seus diferenciais de ensino a realização de aulas com número limitado de alunos em sala, o que possibilita um maior acompanhamento por parte dos docentes.

As manifestações da Belavista e Link ampliam o debate sobre o papel da tecnologia no ensino superior, além de explicitar uma divisão de estratégias entre instituições privadas de elite. Enquanto parte do setor aposta na restrição como instrumento para ampliar foco e engajamento em sala, outras defendem que a universidade deve lidar com a tecnologia como elemento central da formação adulta, transferindo ao estudante a responsabilidade pelo uso consciente do tempo e da atenção.

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